VIRADOURO  
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      Constituído como bairro em 1986, o Viradouro é um prolongamento de Santa Rosa. Com uma área de 0,87Km², limita-se com Ititioca, Largo da Batalha, Cachoeiras, São Francisco, além de Santa Rosa, bairro que lhe deu origem. A rua Dr. Mário Viana, principal artéria de Santa Rosa, era conhecida como rua do Viradouro no trecho próximo a Garganta, nome popular da subida do Morro da União.

    Localizado entre dois morros, o do Africano e o da União, o bairro é de ocupação recente. Nos anos 40 e 50 viviam no local umas poucas famílias, segundo relato dos moradores mais antigos. Fato interessante desta época era a forma de "grilagem" que acontecia no local: como os terrenos eram de posse, havia um proprietário de armazém, Sr. José Lopes, mais conhecido como José do Lápis, que anotava as dívidas,principalmente de gêneros alimentícios, das famílias residentes. Estas dívidas conforme se avolumavam, eram trocadas pela posse das terras e até das benfeitorias, fazendo com que o comerciante se transformasse em grande proprietário de terras.

    No período do pós-guerra, sobretudo nos anos 60/70, o Viradouro viu a sua população multiplicar. A sua área favelizada e a própria expressão espacial do bairro materializava a crise habitacional brasileira. No entanto, as residências que no passado eram de taipa, foram substituídas por alvenaria, com arquitetura própria.

    A vida social se intensificou e diversos segmentos, inclusive a Igreja Católica (Vicentinos), incentivaram a organização dos moradores em uma associação, ponto de referência a mais para a defesa das condições de vida da comunidade. Na época o abastecimento de água era o elemento de maior mobilização, resgatando também o exercício da cidadania.

    No final dos anos 70 é fundada a Associação de Moradores do Viradouro com área de abrangência no Morro da União, Africano e Alarico de Souza. Hoje associada a Federação das Associações de Moradores de Niterói (FAMNIT), a associação local é bastante atuante, destacando-se principalmente na luta pela titulação da terra.

    Nos anos 80, com o agravamento da crise econômica brasileira e com o processo de urbanização acelerado, ocorre a metropolização da pobreza e a intensificação da violência urbana. Os reflexos dessa situação se fizeram sentir também no Viradouro.

    A população do Viradouro corresponde a 0,66% da população total do município. O seu crescimento foi mais significativo no período 70/80. Já no período posterior, 80/91, a taxa de crescimento populacional foi negativa.

* Deve-se levar em conta, entretanto, a Lei de abairramento de 1986, que criou novos bairros no município (entre eles Viradouro) e à adequação dos setores censitários nos limites dos bairros, prejudicando a análise da série história.

    A população feminina soma 54,07%, superando em 8,14% a população masculina, que totaliza 45,93%. Quanto à distribuição por faixas etárias, mais de 2/3 da população estão nos grupos de idade de 0 a 34 anos. Nos grupos de idade a partir dos 30 anos, há um declínio, acentuando-se na população acima dos 60 anos, que representa apenas 7,76% do total de habitantes.

    A taxa de alfabetização da população é baixa em relação a de outros bairros. A estrutura familiar da população do bairro se caracteriza pelo predomínio de chefes de domicílio do sexo masculino, com 71,67%. Entretanto a participação das mulheres nesta mesma condição é elevada, estando entre os dez bairros com maior percentual de mulheres chefiando família.

    Quanto ao rendimento médio mensal dos chefes de domicílio, 70,36% recebem até 03 salários mínimos. Os moradores com mais de 3 salários mínimos representam somente 23,10% .

    Dos 749 domicílios particulares permanentes existentes no bairro, 249 (33,24%) estão situados em área de favela. Outros 441 (58,88%) são casas isoladas ou de condomínio. Apenas 5,07% das habitações corresponde à apartamentos.

    Quanto à condição de ocupação, 72,50% dos domicílios são próprios, muito embora maior parte não tenha titulação de propriedade; 23,36% são domicílios alugados e 4,14% constituem outra forma de ocupação.

    Do total de domicílios particulares permanentes, 63,55% possuem canalização interna, a maioria destes conectada a rede geral de água. Mas 36,45% dos domicílios não têm canalização interna, sendo o uso de poço ou nascente a forma mais difundido de abastecimento.

    Quanto ao esgoto, 44,45% dos domicílios usam a rede geral e apenas, 13,35% utilizam a fossas sépticas. É bastante expressiva a utilização de outras formas de escoadouro sanitário: 316, ou seja, 42,20% das habitações utilizam outras formas assim especificadas: 100 têm fossas rudimentares, 166 usam valas, 10 recorrem a outras formas de escoadouro não discriminados e 40 habitações não têm nenhum tipo de escoadouro da instalação sanitária.

    O lixo é coletado regularmente em 62,34% domicílios. Do total, 12,55% queimam o lixo e 25,11% dão outros destinos.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

    A ocupação do solo é desordenada e aproximadamente 60% das habitações estão em área de risco,(*1) principalmente no Morro do Africano, de formação geológica sedimentar. As habitações existentes apresentam-se, em sua maioria, sob a forma de auto-construção típicas de aglomerado subnormal. O bairro experimentou alguns melhoramentos graças a intervenções municipais como os projetos de mutirão "Vida Nova no Morro" e "Gari Comunitário" e a instalação de um módulo do programa "Médico de Família". O Viradouro possui uma Escola Municipal, que atende da 1ª a 4ª série do 1º grau, um posto de saúde e uma grande instituição ligada a Igreja Católica que funciona como creche e atende as crianças da vizinhança.

    Apesar da violência urbana, os moradores têm relações de solidariedade e de vizinhança. O convívio no bairro é alegre sendo, inclusive, berço, da maior escola de samba de Niterói — a Unidos do Viradouro, que tem hoje a sua quadra de ensaios situada no Barreto.

(*1) estudos realizados pelo NEPHU/UFF