| SÃO FRANCISCO |
As primeiras referências encontradas na literatura e nas cartas geográficas sobre o bairro de São Francisco datam do séc. XVII e dizem respeito à capela de São Francisco Xavier.
A pesca na enseada, farta e de grande variedade, sempre foi importante meio de sustento tanto para os indígenas, ocupantes originais do bairro, quanto para os portugueses que os sucederam. A enseada (Saco) de São Francisco pode ser observada na Carta Topográfica de 1833, onde encontra-se assinalada também a localização da estrada que cortava Icaraí e subia o Morro do Cavalão.
Posteriormente, em 1836, um croqui a lápis mostrava a continuação dessa estrada que seguia próxima a praia do Saco e atravessava a foz do rio Santo Antônio, ponto conhecido até poucas décadas atrás como Boca do Rio. O Santo Antônio corre hoje no centro da Avenida Presidente Roosevelt canalizado em toda a sua extensão. Nesse croqui também é assinalada a presença de outro rio, o Tabuatá ou Taubaté, hoje, também canalizado, cuja foz desembocava ao lado do Marco das Terras dos Jesuítas.
Esta estrada que vinha de Icaraí, através do Morro do Cavalão, bifurcava-se: parte seguia para o interior, rumo Leste, atravessando a Fazenda de São Francisco Xavier e o Morro da Viração até a descida, quase abrupta, em Piratininga. A outra parte contornava a base do morro da velha capela de São Francisco Xavier e atingia a praia de Charitas.
Quem precisasse ir de Icaraí a São Francisco, naqueles tempos remotos, certamente preferia fazê-lo por mar. A estrada então existente era precária e utilizá-la implicava em riscos diversos. Sendo, do ponto de vista da formação do relevo, um grande vale, o bairro de São Francisco teve as suas terras inicialmente ocupadas pelos jesuítas. Através de escravos eles extraíam madeira da floresta e a embarcavam para a sede da congregação, no Rio de Janeiro. Com a expulsão dos Jesuítas, a fazenda onde estavam instalados foi desmembrada e um dos novos proprietários das terras daí surgidas foi a família Menezes Fróes. A Estrada Fróes, custeada pelo major Luis José de Menezes Fróes, foi construída para facilitar o escoamento da produção da fazenda no Saco de São Francisco. A estrada significou nova e importante ligação com Icaraí.
Posteriormente a área foi parcelada em aproximadamente seis grandes loteamentos, sendo que o maior deles chegou a ter em torno de 1.500 lotes e chamava-se Fabio Estephanea.
Por volta de 1940, São Francisco era pouco habitado, com uma paisagem típica de restinga e vegetação abundante nas encostas. Os bondes elétricos, por esta época, alcançavam o bairro através da estrada Fróes. O Lido, restaurante e hotel, era o local preferido pelos moradores do bairro e também pelos niteroienses amantes de sossego e de bom papo, nos momentos de descontração e lazer.
Segundo o Censo de 1991, 2,21% dos moradores de Niterói vivem no bairro. Acompanhando a série histórica a partir de 1970, percebe-se que este percentual está diminuindo progressivamente, o que de certa forma se justifica pelas baixas taxas médias de crescimento anual que obteve nos períodos de 1970/1980 e 1980/1991 (respectivamente, 0,29% e 0,17%), crescimento pequeno e típico de bairro com ocupação antiga e cristalizada.
Em São Francisco, a população de sexo masculino representa 46,52% do total. As mulheres totalizam 53,48% dos habitantes.
Quanto à distribuição etária, há predominância da população adulta, com uma concentração nas faixas etárias de 20 a 29 anos, que reúnem 18,16% do total. A população acima dos 60 anos representa 16,19%, percentual elevado quando comparado com os demais bairros, em contraposição à população infantil, de 0 a 9 anos, que representa 10,19%.
O bairro apresenta uma elevada taxa de alfabetização (96,97%), considerando-se a população acima dos cinco anos de idade ocupando a 3ª posição no conjunto dos 48 bairros de Niterói. Este índice só é superado na Boa Viagem e em Icaraí.
Os altos percentuais da população alfabetizada são comuns a todos os grupos etários, inclusive população idosa.
Em São Francisco predomina a figura do homem como chefe de domicílio, com o percentual de 77,38%. Neste aspecto as mulheres apresentam percentual de 22,62%.
Essa composição familiar já aponta a influência da ordem econômica vigente nos dias atuais, sobretudo nos centros urbanos.
A tabela indica que o padrão econômico do bairro é elevado: 25,04% dos chefes de domicílio têm um rendimento médio mensal acima de mais de 20 salários mínimos. Nas faixas de 5 a 20 salários estão 47,59% dos chefes, enquanto que 16,25% ganham até 3 salários mínimos.
O bairro é dominado quase que exclusivamente pelas residências unifamiliares e de alto padrão construtivo. Apresentam ainda indicadores médios de cômodos por domicílio bastante elevados. Na paisagem de São Francisco, predominam as casas, quer isoladas ou de condomínio (79,08%), mas verifica-se, ainda, um considerável número de apartamentos (20,88%). Os domicílios são ocupados majoritariamente por seus proprietários (79,90%), sendo apenas 15,28% imóveis alugados.
Segundo dados do IBGE, não existe aglomerado subnormal (favela) no bairro.
No bairro de São Francisco, quase 100% dos domicílios particulares permanentes possuem canalização interna de água. Destes, 2.416 (94,45%) são ligados à rede geral de abastecimento, observando-se também a ocorrência de residências cujo abastecimento dágua é proveniente de poços ou nascentes: 5,20%. Com relação a instalação sanitária, na maioria dos domicílios (93,35%), utiliza-se a fossa séptica enquanto somente 4,32% estão ligados à rede geral de esgoto e em 2,33% recorre-se a outra forma para escoamento do esgoto.
A coleta de lixo contempla 95,57% dos domicílios de forma que poucos recorrem a queima do lixo (4,24%) e um percentual insignificante (0,19%), a outras maneiras.
Os números da tabela VII deixam claras as excelentes condições de infra-estrutura urbana de que dispõe o bairro de São Francisco, pioneiro na coleta seletiva de lixo.
CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:
Local privilegiado de moradia, o bairro de São Francisco com suas residências unifamiliares, quase sempre com quintais, apresenta uma configuração urbana não encontrada em outros bairros do município.
Suas ruas são paralelas e perpendiculares a dois eixos principais: a Avenida Rui Barbosa, também conhecida como Estrada da Cachoeira e a Avenida Presidente Roosevelt, a rua do Canal. O comércio está circunscrito à Avenida Rui Barbosa, apresentando-se variado no atendimento às primeiras necessidades. As casas noturnas bares, restaurantes e boates concentram-se na Avenida Quintino Bocayuva, ou seja, na orla marítima.
O bairro possui uma agência bancária e um caixa eletrônico que funciona 24 horas. Quanto ao setor educacional, algumas escolas, creches e jardins de infância particulares de renome aí estão sediadas, contando também com uma grande escola pública estadual.
A maternidade existente no bairro é particular, prestando serviços hospitalares a entidades conveniadas.
Os coletivos que atendem ao bairro circulam pela Avenida Rui Barbosa (linha 32 Cachoeiras/Centro) ou através da Avenida Presidente Roosevelt, com linhas que se dirigem a outros bairros, especialmente da Região Oceânica: linhas 37 (Largo da Batalha), 38 (Itaipu), 46 (Várzea das Moças) e 48 (Rio do Ouro). Essa avenida é um importante corredor viário da cidade. A linha 17 serve especificamente ao bairro, trafegando pela orla marítima. Existem ainda alguns ônibus que se dirigem ao município do Rio de Janeiro e que também servem ao bairro: Gávea, Galeão, Penha, Madureira, Centro. Também passam pela praia de São Francisco linhas de ônibus que se dirigem a outros bairros do município: a 62 (Fonseca) e a 33 (Jurujuba).
Quanto ao lazer, com uma enseada privilegiada, o bairro é intensamente procurado para práticas náuticas, principalmente vela e motonáutica, contando com vários clubes especializados nessas modalidades esportivas, ao longo da Estrada Fróes,(*1) principalmente.
Entre os clubes, todos de boa categoria citaremos o Iate Clube Brasileiro por ser um dos mais antigos clubes de iatismo do Brasil. Na praia de São Francisco, em suas areias e no calçadão, existe consagradamente a prática de vários esportes não só pelos moradores do bairro como também pelos aficcionados de outros locais. Também exerce atração o Clube Hípico, entidade localizada nos limites do bairro, porém de abrangência mais ampla, utilizado pelos praticantes não só do hipismo, como também do tênis e do futebol.
Os acessos atuais mais usados atravessam dois túneis cavados no Morro do Cavalão,(*2) criados como alternativa a estrada Fróes.
Ainda como local de lazer, há de se assinalar a presença do Parque da Cidade, situado na parte mais alta do Morro da Viração, entre os bairros de São Francisco, Charitas, Piratininga e Maceió. O parque tem um mirante a 260 metros de altitude e reúne algumas ruínas que, especula-se, fizeram parte de um posto de guarda português construído por volta do séc. XVI. Sua beleza cênica, as rampas de vôo-livre, as provas esportivas e um lugar tranqüilo para lazer, conferem ao Parque papel de destaque no turismo da cidade. Apontado pelo Plano Diretor de Niterói como unidade de conservação, sua cobertura vegetal funciona como refúgio para inúmeras espécies animais e vegetais típicas, comprimidas nesses espaços pelo avanço urbano.
Localiza-se no bairro, num outeiro, um dos principais pontos histórico-turístico de Niterói: a igrejinha de São Francisco Xavier, constituída pelos jesuítas nos primeiros tempos da colonização.
(*1) A denominação dessa via pública foi alterada passando a chamar-se estrada Leopoldo Fróes, em homenagem a esse grande artista niteroiense, sobrinho-neto do major que a construiu.(*2) Essa denominação foi dada em função da necessidade da travessia do morro ser feita por animais robustos cavalões devido às péssimas condições reinantes no local, como já foi dito anteriormente.