| SANTANA |
Santana é um dos bairros mais antigos de Niterói, limitando-se com São Lourenço, Fonseca, Engenhoca, Barreto, Ilha da Conceição e Ponta DAreia, além das águas da Baía de Guanabara. Inicialmente suas terras foram ocupadas por plantações, mas a proximidade do mar foi fator fundamental para entender fatos que marcaram a história do bairro.
Há registros do séc. XIX sobre a Fazenda de SantAnna, do Brigadeiro João Nepomuceno Castrioto, para cuja capela cogitou-se tranferir a igreja da freguesia de São Lourenço.
Às margens da Baía de Guanabara, ancoradouros e depois o porto de Niterói.
Ao longo do tempo foram desenvolvidas em Santana diferentes atividades econômicas: a pesca, a agricultura, a extração mineral e o comércio, este originando grandes armazéns.
Nos limites do bairro, junto a São Lourenço e na entrada do Fonseca, construiu-se, de 1873 a 1892, por deliberação do Governo provincial, a matriz de São Lourenço. O lugar tornou-se nesta época o principal ponto de referência dos três bairros. O largo de Santana posteriormente passou a ser conhecido e chamado de Ponto dos (de) Cem Réis, preço da passagem do bonde que aí fazia uma parada. Devido ao desenvolvimento urbano do Fonseca, a área passou a ser muito mais integrada ao bairro, com ele se confundindo. No Ponto de Cem Réis instalaram-se estabelecimentos comerciais que serviam a diferentes bairros.
Posteriormente iria ocorrer a instalação de indústrias como estaleiros de reparos navais, refinaria de açúcar, fábrica de vidros e fábricas de beneficiamento de pescado. Muitas destas atividades deixaram de existir, mas algumas sobrevivem até hoje.
No início do século XX o bairro ganha novas áreas e atividades. Ainda na década de 20 são feitas as obras do aterrado de São Lourenço, no mangue que ali existia. Este aterro tinha com objetivo de facilitar a construção do Porto de Niterói, da Estação Ferroviária e de uma nova avenida, a Feliciano Sodré no limite do bairro com o Centro e São Lourenço. Já na década de 70, a construção da Ponte Rio-Niterói, traz novas mudanças: prédios são derrubados (inclusive onde funcionava o Centro Pró-Melhoramentos Santana/São Lourenço), viadutos são construídos dividindo o bairro o Ponto de Cem Réis, que é o único lugar ainda reconhecido como Santana, e a parte maior, identificada pelos moradores como Barreto.
O que verificou-se em Santana, no decorrer dos anos, foi a progressiva substituição de determinadas atividades por outras, que ocuparam os prédios e espaços já existentes. Alguns prédios, por sua vez, encontram-se abandonados ou em ruínas.
Significativo pela dimensão e o estado geral de abandono é o espaço antes ocupado pela Rede Ferroviária Federal: seus prédios, estação, oficinas e pátio de manobras, onde mato e lama predominam, são testemunhos de época. Hoje existe movimento insignificante de trens, com saídas e retornos para Guapimirim e Porto das Caixas.
A rua Benjamim Constant, que corta todo o bairro no sentido Sul-Norte, foi durante muito tempo a única via de acesso para os outros lugares da região (Barreto, Engenhoca, Tenente Jardim) e para o município de São Gonçalo. Por ela passaram as carroças e diligências que ligavam Niterói a São Gonçalo, substituídas por bondes puxados a burro, bondes de tração elétrica e veículos motorizados.
O crescimento urbano e o desenvolvimento econômico geraram a necessidade de novas vias. Na década de 60 foi construída a Avenida do Contorno junto à orla da baía, desafogando o tráfego da Benjamin Constant. Na década de 70 com a conclusão das obras da Ponte Rio-Niterói, que tem uma das saídas e entradas no bairro de Santana, e das obras da estrada Niterói-Manilha, o fluxo de veículos por Santana, principalmente em direção a outros municípios e estados, se intensifica ainda mais, transformando-o num bairro de passagem.
Observamos, em relação ao incremento demográfico, que Santana teve um crescimento populacional pouco expressivo nos períodos apresentados na tabela, típico dos bairros da região, em virtude do esvaziamento econômico comum à toda área. No entanto, 2,18% da população de Niterói, residem em Santana, significando 9.506 moradores, segundo o Censo Demográfico de 1991.
A população concentra-se nas faixas etárias entre 10 e 34 anos, caracterizando uma população jovem e adulta, representando 42,25% do total do bairro. A faixa etária de 25 a 29 anos é isoladamente a mais expressiva, com 8,92% do total.
Quanto à distribuição por sexo, 53,26% dos moradores são mulheres, enquanto 46,74% são homens.
Santana ocupa o 9º lugar no conjunto dos 48 bairros do município, com uma elevada taxa de alfabetização: 95,11%.
Estas mantêm-se elevadas e equilibradas em todas as faixas etárias, sofrendo um pequeno declínio a partir dos 70 anos de idade.
Santana possui 9.506 habitantes, com 2.787 chefes de domicílio. Desse total, 72,52% corresponde a chefes do sexo masculino e 27,48% do sexo feminino, número este, acima da média municipal, que é de 26,34%.
O rendimento mensal dos chefes de domicílio até 03 salários mínimos representa 42,12% do total. Os rendimentos de 03 a 10 salários mínimos totalizam 43,17%. Já nas categorias de rendiUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUadouro, seis possuem fossa rudimentar, 33 não têm nenhum tipo de instalação sanitária e um domicílio faz uso de outro tipo não discriminado.
CARACTERÍSTICAS URBANAS E TENDÊNCIAS:
Caminhando-se pelas ruas e travessas do bairro, observa-se pelas construções existentes, residenciais ou não, as diferentes etapas de sua ocupação, além da relação direta com os bairros de São Lourenço, Fonseca e Barreto: prédios abandonados, em ruínas ou totalmente fechados, ao lado de instalações comerciais e industriais, algumas subaproveitadas. A arquitetura das residências referenda essas transformações: há vilas de casas (todo o lado esquerdo da travessa Couto) tipicamente de operários; há casas de construção antiga ou recente com características simples perto do Ponto de Cem Réis, no Morro do Holofote e nas suas proximidades; há casas construídas em terrenos da Rede Ferroviária por seus trabalhadores e existem ainda construções do início de século, maiores em dimensão, que deixam evidente relativa suntuosidade, convivendo com construções mais modernas nas proximidades do Largo do Barradas (rua José de Alencar); bem como edifícios e conjuntos de apartamentos populares, típicos do "boom" imobiliário da década de 70.
No bairro hoje, além dos prédios residenciais e das indústrias (principalmente ao longo da Avenida do Contorno), são encontradas oficinas e estabelecimentos comerciais, estes mais numerosos e aglomerados nas cercanias do Ponto de Cem Réis e Largo do Barradas. Existem ainda vários espaços que são utilizados como depósitos: seja público (Detran) ou particular (transportadoras). Prédios com outras finalidades também são encontrados: a Casa Oliveira Vianna, no início da Alameda; o Clube dos Funcionários da Telerj; o prédio do Sindicato de Operários Navais do Rio de Janeiro (palco da resistência ao Golpe de 64) e uma praça, o Largo do Barradas, onde se localizava uma antiga e tradicional escola particular o Colégio Nilo Peçanha, que foi extinto e no seu lugar, recentemente, construiu-se uma creche filantrópica e um parque esportivo. No bairro há uma única escola pública estadual, o Jardim de Infância Julieta Botelho, que por estar localizado no início da Alameda é muito mais identificado com o Fonseca. Também já funcionou no bairro um hospital, a maternidade do IAPTEC, que foi desativada, ficando o prédio durante um tempo sem uso e abrigando hoje um setor burocrático da previdência social.
O reaproveitamento de seus espaços para o exercício de novas atividades, bem como de novas construções, não só mudam o perfil do bairro de portuário, industrial e ferroviário, onde residiam seus operários para um bairro onde predominam prédios residenciais, como também reafirmam uma característica bastante antiga, de ser local de passagem. A falta de equipamentos públicos de saúde, educação e lazer, faz com que os moradores do bairro não o identifiquem como tal, todos a ele se referindo como Barreto ou como Fonseca.
Como problemas ambientais dignos de nota, destaca-se a poluição decorrente do excessivo número de veículos que trafegam pelo bairro, principalmente na Avenida do Contorno e a poluição das águas da Baía de Guanabara.