| RIO DO OURO |
De relevo levemente acidentado, principalmente no lado de Niterói o bairro tem São Gonçalo como limite ao norte, onde continua com o mesmo nome, além de limitar-se com Várzea das Moças, Engenho do Mato, Jacaré e Muriqui.
Com a origem do nome perdida na memória dos moradores, o bairro do Rio do Ouro, como toda região até meados deste século, era parte das grandes fazendas que predominavam na área. Estas fazendas não apresentavam uma produção agrícola significativa, atendendo basicamente ao consumo local, com um pequeno excedente que era comercializado em outros locais. Como principais produtos tínhamos as frutas cítricas (principalmente laranja), legumes e hortaliças (tomate, jiló, vagem, repolho, mandioca etc.) contando ainda com a presença de engenhos movidos pela tração animal ou pela força da água.
Com a diminuição das atividades agrícolas, não só na região mas em todo o Estado, por volta dos anos 50, as fazendas começaram a ser parceladas, sem nenhum padrão estabelecido, mas de acordo com a solicitação dos compradores e também pela atuação de posseiros, grileiros e outros. Em conseqüência, temos lotes de vários tamanhos e sítios com áreas variadas.
No lado de São Gonçalo, existiu até a década de 60, uma estação ferroviária do ramal da Leopoldina que se estendia até Campos. Era utilizada para escoamento do excedente da produção para outros locais do município de Niterói e do café vindo da fazenda de Várzea das Moças. Localizava-se onde hoje funciona uma garagem de ônibus.
A ligação entre o Rio do Ouro e o trevo de Maria Paula, na época já um entroncamento importante com algumas casas comerciais, dava-se pela estrada Velha de Maricá, onde existia um trecho, no limite com Muriqui (oeste), que, pelo seu relevo e vegetação era de difícil passagem, exigindo "paciência" dos usuários. Daí, segundo os moradores vem o nome do local: Paciência.
Segundo dados do Censo Demográfico do IBGE de 1991, a população residente no bairro de Rio do Ouro representa 0,73% da população do município de Niterói.Em relação ao crescimento demográfico, o referido bairro apresentou no período de 1980 a 1991, um percentual de 3,43%, o maior das últimas décadas, estando em 11º lugar, no conjunto dos 48 bairros do município.
Em relação à população do Rio do Ouro, os maiores índices populacionais se concentram nas faixas etárias até 24 anos (46,79% do total) caracterizando uma população jovem.
Quanto à distribuição por sexo, ocorre uma discreta superioridade dos homens com 1,42% a mais do que as mulheres. Estas representam 49,29% da população do bairro, enquanto os homens representam 50,71%, ocorrência pouco comum no município.
A taxa de alfabetização da população do Rio do Ouro com mais de 05 anos de idade é de 88,16%, ocupando o 29º lugar entre os 48 bairros do município. Destaca-se que a população alfabetizada com idade entre 10 e 44 anos é bastante representativa, alcançando sempre mais de 90,00% por faixa etária.
Acompanhando a tendência verificada em todo o município, os chefes de domicílios são representados em sua maior parte por indivíduos do sexo masculino, correspondendo a 83,25% do total, em oposição a 16,75% representados pelo sexo feminino.
Em relação ao rendimento mensal dos chefes de domicílio, observa-se maior concentração nas faixas até 3 salários mínimos, representando 68,92% do total. Deste percentual, ocorre uma predominância da faixa de ½ até 1 salário mínimo (32,95%).
Além da predominância quase absoluta das casas isoladas ou de condomínio, que representam 99,53% dos domicílios, podemos destacar que grande parte destes são próprios (61,35%), apenas 14,20% são alugados e 24,45% correspondem a outra condição de ocupação que, no Rio do Ouro, representa exclusivamente os domicílios cedidos por empregador ou particular.
No Rio do Ouro 78,58% dos domicílios possuem canalização interna para abastecimento d"água e 21,42% não possuem, sendo a utilização de poços ou nascentes o principal recurso para o abastecimento.
Com relação à instalação sanitária, predomina o uso de fossas sépticas, utilizadas em 83,47% dos domicílios. Em 16,53%, recorre-se a outras formas assim discriminadas: 44 utilizam fossas rudimentares; 42 as valas; 39 não possuem nenhum tipo de escoadouro; 15 utilizam outros tipos não especificados e em 02 domicílios os entrevistados não souberam informar.
CARACTERÍSTICAS URBANAS E TENDÊNCIAS:
A construção da estrada Amaral Peixoto (RJ.106) na década de 50 deu um grande impulso à ocupação do bairro. Por ser uma área mais plana, o desenvolvimento da região iniciou-se no lado de São Gonçalo. Na parte niteroiense, podemos destacar duas áreas com alguma densidade populacional e construções em alvenaria:
- Ao longo da estrada Velha de Maricá, de Paciência até o entroncamento com a estrada Amaral Peixoto e em torno deste;
- Nos limites com Várzea das Moças, área identificada pelos moradores, e por quem conhece o local, como pertencente a este bairro, cujo comércio e serviços aí existentes, atendem aos moradores dos dois bairros indistintamente.
No interior do bairro temos pequenos e grandes sítios, cujos proprietários, de um modo geral, não são moradores nem os exploram comercialmente, mas sim os utilizam para lazer, com uma pequena produção para consumo familiar.
O comércio é dinâmico (mercado, farmácia, açougue, padaria etc.) localizando-se próximo ao entroncamento da estrada Velha de Maricá com a RJ 106 e na divisa com Várzea das Moças, conforme citado anteriormente.
Como a utilização dos equipamentos urbanos não se limita por uma linha imaginária de divisa inter-municipal ou entre bairros, podemos dizer que Rio do Ouro é bem atendido por escolas públicas, com um CIEP próximo ao entroncamento da estrada Velha de Maricá com a estrada Amaral Peixoto e uma escola estadual em Paciência, só que ambas do lado de São Gonçalo. Ao sul, na divisa com Várzea das Moças e em território deste, temos mais um CIEP e outra escola estadual.
No bairro existe também uma Delegacia Policial (São Gonçalo) e uma clínica médica particular que atende a todos os bairros da região.
Como principais reclamações dos moradores temos a deficiência de transportes e a carência de telefones públicos.
O abastecimento de água se dá por poços e o escoamento sanitário, por fossas e sumidouros.
Do lado de Niterói não encontramos nenhuma indústria significativa, excetuando-se parte da Cerâmica Rio do Ouro (CROL), geradora de emprego em toda a região, abordada no capítulo de Várzea das Moças por estar mais ligada a história de ocupação deste bairro.