PONTA D'AREIA  
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    Localizado na Península da Armação, a Ponta D’Areia, por sua posição geográfica, encontra-se diretamente relacionada às águas da Baía de Guanabara, tendo com o continente apenas as áreas limítrofes com os bairros do Centro e de Santana.

    A Península da Armação, desde os primórdios da colonização, contribuiu de maneira relevante para a economia nacional. O local é citado no livro de Jorge Caldeira sobre Irineu Evangelista de Souza, Barão e depois Visconde de Mauá, e foi mencionado também por Barbosa Lima Sobrinho em recente artigo no "Jornal do Brasil": ...nas oficinas da Ponta de Areia.... O futuro Visconde de Mauá dera um grande alento à indústria de construção naval brasileira".

    O nome Armação está relacionado à pesca ("armar" os barcos) e ao esquartejamento de baleias, já que a península foi importante porto baleeiro. A vocação industrial veio depois, e com as oficinas de material bélico da Marinha e estaleiros.

    Após as obras de urbanização da Vila Real, ordenaram-se os acessos à Armação e Ponta D’Areia, agilizando a ligação com o Centro da cidade.

    No século passado, em estaleiro que ali funcionava, construíram-se barcos a vapor, caldeiras e peças fundidas em ferro. Posteriormente, na época de Irineu Evangelista de Sousa, Barão e Visconde de Mauá, a indústria diversificou-se e passou a produzir vários equipamentos, alguns incluídos no Catálogo de Produtos Industriais da Exposição Nacional de 1861 e mais tarde enviados à Exposição Universal, em Londres. Mauá, um empreendedor, chegou a empregar centenas de operários em suas instalações que construiram vários navios, entre eles o "Marquês de Olinda". Com a mudança da política econômica que facilitou a entrada de produtos estrangeiros, veio a falência. Mauá, precursor da industrialização brasileira, é homenageado com nome de rua e do estaleiro sediado na Ponta D’Areia.

    Outra empresa que marcou época na economia fluminense, estabelecida também na Ponta D’Areia, foi a Companhia de Comércio e Navegação, de Pereira Carneiro e Cia. Ltda. Possuidora de importante frota de cabotagem e de grandes armazéns gerais, também negociava com sal. Foi desta companhia o dique Lahmeyer, o mais sólido do mundo por ter sido cavado em rocha e que durante muito tempo foi o maior da América do Sul. O dique era usado para manutenção da frota própria e também atendia a outras empresas. O Conde Pereira Carneiro, principal acionista da Companhia de Comércio e Navegação, também construiu a vila que leva o seu nome, existente até hoje. A vila operária foi criada com fins sociais - casas higiênicas(*1) com aluguel módico, escola e até uma capela - para os empregados da empresa. Atualmente a "vila" está incorporada ao patrimônio arquitetônico da cidade.

    Em 1893 a Ponta da Armação entrou definitivamente para a história nacional quando tropas amotinadas contra o governo do Presidente Floriano Peixoto, comandadas por Custódio de Melo, apoderam-se de toda munição existente no então Laboratório Pirotécnico da Marinha — que lá funcionava. Apesar do revés inicial, tropas fiéis ao Presidente resistiram em vários pontos da cidade até a vitória. Niterói passou a ser denominada "Cidade Invicta" por alguns historiadores.

    (*1) Casas com instalações sanitárias

    Segundo o censo demográfico de 1991, 1,59% da população de Niterói reside na Ponta D’Areia. O bairro apresentou no período de 80-91 uma taxa de crescimento anual de 0,24%, ocupando o 27º lugar no conjunto dos bairros.

    A população do sexo feminino representa 52,65%, enquanto a masculina corresponde a 47,35% dos residentes no bairro. Mais de 60% dos moradores estão distribuidos entre as faixas etárias de 0 a 39 anos, sendo que a maior concentração está nas faixas de 20 a 39 anos correspondendo a 34,76% da população, caracterizando-a como jovem e adulta.

    O bairro apresenta uma taxa de alfabetização acima da média municipal com 93,60%, estando em 13º lugar no conjunto do município. Nota-se que essa taxa sofre um declínio na população idosa após os 70 anos, mas mesmo assim uma taxa elevada quando comparada com a de outros bairros.

    Na composição familiar da Ponta D’Areia predomina o homem como chefes de domicílio, com um percentual de 74,90%. As mulheres somam 25,10% nesta categoria.

    Quanto ao rendimento médio mensal dos chefes de domicílio, 43,36% ganham até três salários mínimos, 41,40% ganham entre 03 e 10 salários mínimos e 9,05% ganham entre 10 e 20 salários mínimos.

    O total de domicílios do bairro é de 2.080, dos quais 2.020 são particulares permanentes. Desse total, 50,99% correspondem a casas isoladas ou de condomínio, 41,48% a apartamentos e 7,33% a casas em aglomerado subnormal - habitações de favela. Pouco mais da metade dos domicílios (52,18%) são próprios, sendo expressivo o percentual de imóveis alugados (43,66%).

    Com relação ao abastecimento de água, 95,35% dos domicílios apresentam canalização interna, estando em sua maioria ligados à rede geral.

    Quanto as instalações sanitárias, 95,40% dos domicílios estão ligados à rede geral. Do total, menos de um por cento, 0,50%, usa fossa séptica e 4,10% (83 domicílios) usam outros escoadouros: 43 - fossas rudimentares; 12 - outras formas; oito usam valas ou não sabem informar; e 20 domicílios recenseados não possuem nenhum tipo de instalação sanitária.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

    A população da Ponta D’Areia, na sua maioria, tem origem operária, tradicionalmente ligada às indústrias locais e de ilhas próximas, vinculada à construção naval já que o bairro é pioneiro, no Brasil, neste ramo de atividade. Constituída de migrantes, em boa parte oriundos de Portugal, o bairro também conhecido como "Portugal Pequeno".

    Sobre a indústria naval é importante ressaltar que Niterói já teve neste ramo industrial sua máxima expressão, apesar da decadência atual do setor.

    As residências da Ponta D’Areia apresentam padrão construtivo predominante do tipo médio degradado, com espacialização horizontal. Especialmente na Vila Pereira Carneiro, outrora núcleo residencial dos operários navais e que hoje abriga uma população de classe média, nota-se a presença de casas de padrão mais elevado. Há de se assinalar um núcleo de população de baixa renda no chamado Morro da Penha.

    O comércio de primeira necessidade localiza-se na entrada da Vila Pereira Carneiro (açougue, supermercado, padaria, etc) e o especializado em produtos náuticos e oficinas afins, nas ruas que margeiam a Baía de Guanabara - especialmente a Miguel Lemos e a Barão de Mauá. Merece registro especial o Mercado São Pedro — especializado na comercialização de peixes e crustáceos — de grande dimensão e que atrai clientes até de municípios vizinhos.

    A presença de estaleiros é uma constante ainda hoje na Ponte D’Areia. Encontram-se em atividade lá os estaleiros Mauá, Mac-Laren e Cruzeiro do Sul, este pertencente ao Governo do Estado - responsável pela manutenção das barcas da Conerj, que interligam Niterói ao Rio e vice-versa.

    No campo educacional, no setor público, há uma escola de primeiro grau e uma pré-escola gerenciadas pelo Município. As principais vias do bairro encontram-se em situação satisfatória e nelas trafegam linhas regulares de ônibus.

    Na Ponta da Armação, além de um conjunto residencial da Marinha, encontram-se situadas as instalações da Diretoria de Hidrografia e Navegação (D.H.N.), órgão responsável pela elaboração de cartas náuticas.

    Por se tratar de um bairro de ocupação antiga, já cristalizada, com uma topografia de morros e declives, as perspectivas de expansão são limitadas.