| MACEIÓ |
Localizado entre a zona de ocupação mais antiga e a Região Oceânica, Maceió possui pequena base territorial e tem como vizinhos os bairros de Cachoeiras, Cafubá, Cantagalo e Largo da Batalha.
Sua ocupação é antiga, embora de registros incertos. Sabe-se que toda essa área pertenceu a uma grande fazenda denominada Fazenda Piratininga, de contornos imprecisos, o que favoreceu ao surgimento do fenômeno da grilagem de terras no decorrer deste século.(*1) Os primeiros ocupantes foram perdendo sua condição de produtores livres e gradativamente assentando-se em áreas disponíveis.
Até as primeiras décadas deste século a atividade econômica predominante era a agricultura de subsistência e a produção de carvão. Tendo em vista que a grande maioria dos pequenos produtores não possuía meios de transportes para escoar a produção, o intermediário, proprietário de um caminhão ou equivalente, percorria os sítios nos quais recolhia o excedente comercializável e deixava outros produtos de caráter mais urbano. Tal agente era também comerciante estabelecido no centro da região, provavelmente no Largo da Batalha de hoje.
Nesse processo estabelecia-se uma troca desigual, no qual para pagamento das dívidas, muitos agricultores entregavam suas posses, gerando áreas de terras griladas.
Observações empíricas em tempos atuais (1995) expressam a sobrevivência ainda de atividades rurais como testemunho dos primórdios da ocupação. Há criatórios de gado bovino, hortas e reservas florestais.
(*1) Depoimento de moradores antigos em entrevistas realizadas entre 1981 e 83.
Segundo o Censo Demográfico de 1991, a população do bairro de Maceió representa 0,94% da população de Niterói. Sua dinâmica demográfica apresentou nos períodos de 70/80 e 80/91, taxas de crescimento bastante expressivas. No período 70/80, a taxa anual foi elevada (10,16%), ocupando a 6ª posição entre os bairros de Niterói. Já no período seguinte, 80/91, houve redução da taxa para 4,39%, deixando o bairro na 8ª posição entre os demais, queda esta comum a todos os outros bairros da Região.
O bairro de Maceió caracteriza-se por possuir uma população jovem, tendo em vista que mais da metade dos residentes têm até 29 anos de idade, 61,20%. A maior concentração se dá nas faixas de 10 a 29 anos (41,66%), o mesmo não acontecendo com os mais idosos, visto que a partir de 60 anos contam com apenas 6,42% dos residentes.
A taxa de alfabetização de Maceió está em torno de 85,98%, ocupando a 35ª posição entre os bairros. Podemos destacar que a população de 10 a 39 anos é a que apresenta as taxas mais elevadas, declinando a partir dos 60 anos.
No bairro de Maceió, a população é de 4.093 moradores, sendo que destes, 1.040 são chefes de domicílio, dos quais 78,18% são homens e 21,82% são mulheres.
Podemos observar na tabela acima que 70,17% dos chefes de domicílio particulares permanentes do bairro de Maceió estão na classe de rendimentos de até 2 salários mínimos mensais, o que caracteriza o baixo poder aquisitivo da população do bairro. Destaca-se que 46,97% recebem até 1 salário mínimo.
O bairro tem uma ocupação espacial horizontal, com a grande maioria das habitações (99,61%) do tipo casa isolada ou de condomínio, e quanto à condição de ocupação, 77,77% dos domicílios são próprios e 17,61% são alugados.
O bairro tem uma situação precária no que diz respeito à infra-estrutura básica. Quanto ao abastecimento dágua, 52,74% dos domicílios possuem canalização interna e 47,26% não a possuem. Dos 1.039 domicílios, 731 tem o abastecimento de água feito através de poço ou nascente.
Sobre as instalações sanitárias, 52,84% fazem uso da fossa séptica e 46,39%, que correspondem a 482 domicílios, utilizam-se de outras formas de escoadouro, assim identificados: 245 utilizam valas; 50 as fossas rudimentares; 126 não foram discriminados; três não souberam informar e 58 domicílios recenseados não têm nenhuma forma de escoadouro.
Em relação ao destino do lixo, 53,03% dos domicílios têm o seu lixo coletado, 31,28% o queimam e 15,59% dão outros destinos.
CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:
O atual uso do solo do Maceió se caracteriza pela complexidade. Coexistem espacialmente áreas com características rurais bem marcadas e áreas tipicamente urbanas, a começar pela área central do bairro. Ocorre que outros núcleos foram sendo estruturados como, por exemplo, às margens da estrada Velha de Itaipu, onde vários condomínios fechados de alto padrão construtivo têm aparecido nos últimos 15 ou 20 anos.
Há claras diferenças entre lugares como o Morro de Santo Inácio e o núcleo principal do bairro, marcados por padrões construtivos precário e baixo, respectivamente, com grande carência de serviços urbanos básicos em relação aos condomínios de classe média da localidade denominada paineiras.
A inexistência de água encanada ligada à rede geral de abastecimento leva os moradores a recorrerem ao poço; e a ausência do esgotamento sanitário, ao recurso da fossa rudimentar ou em alguns casos à séptica, quando não ao escoamento a céu aberto, in natura. É freqüente a contaminação da água dos poços pela proximidade das fossas, responsável por reincidências quase permanentes de certas doenças.
Uma curiosidade no que concerne ao abastecimento de água, refere-se à captação das águas pluviais mediante canalização nos beirais dos telhados, prática muito comum no Agreste e Sertão Nordestino de onde procede parte dos moradores antigos da área.
O comércio no bairro é pouco expressivo e a população recorre quase que integralmente ao Largo da Batalha, que se localiza próximo e que desempenha desde muitos anos uma função de centralidade urbana e de polarização em relação dos bairros vizinhos.
No bairro encontram-se ainda uma serralheria, oficinas mecânicas, fábrica de artefatos de gesso e bares.
Registra-se também uma creche instituída inicialmente como creche comunitária, com o trabalho voluntário de moradores e que mais tarde foi absorvida pela Prefeitura Municipal.
No bairro não há escolas, mas devido à proximidade do Colégio Estadual Leopoldo Fróes localizado no Largo da Batalha, as crianças e adolescentes do Maceió em idade escolar dirigem-se ao mesmo, embora muitas vezes não sejam atendidas.
O bairro dispõe de luz elétrica nos domicílios e nas vias públicas e conta com os serviço de coleta de lixo, embora em alguns pontos existam caçambas coletoras, porque a CLIN não faz coleta diária.
As perspectivas para o desenvolvimento do bairro, do ponto de vista econômico, são pequenas. Todavia, para fins residenciais em ocupação tipo condomínios fechados, há ainda grande disponibilidade de espaços favorecidos por relevo não uniforme que oferece variedade de paisagens.
As opções de investimento ficam restritas, portanto, ao capital imobiliário.