FÁTIMA  
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    Fátima é um bairro localizado junto ao Centro, limitando-se com este, além de São Lourenço, Santa Rosa, Pé Pequeno e Cubango.

    O bairro surgiu da compra de uma área da antiga Chácara do Vintém, onde existia uma fonte usada pelos jesuítas, que teve papel relevante no abastecimento de água da cidade.

    Niterói tinha fontes de água em diversos pontos. A primeira intervenção governamental no setor foi a captação dessas águas e a colocação de encanamentos em direção a chafarizes e bicas públicas. O manancial da Chácara do Vintém (ou Chácara Andrade Pinto) foi uma fontes captadas.

    A água, muito límpida, era distribuída também por aguadeiros que anunciavam: "Olha a água da Chácara do Vintém que não faz mal a ninguém." Nesses tempos, quem tinha "posses" não mandava buscar água nas bicas públicas, esperava que as carroças-pipas a levassem na porta por preço que, conforme a época, variava de 40 a 100 réis o barril.

    O manancial da Chácara do Vintém chegou a ser adquirido pelo Governo devido a sua importância para a cidade.

    Durante muitas décadas a água deste manancial foi utilizada, mesmo quando das tentativas (a primeira em 1892) de se captar água da Serra de Friburgo.

    As características fisiográficas do bairro de Fátima influenciaram a sua ocupação e expansão. Embora próximo do Centro e de outros bairros, é separado destes por morros, sendo o mais significativo o de São Lourenço/Boa Vista.

    Por entre os morros e também nestes, a Companhia Proprietária Brasileira, após aquisição da área, projetou e executou o loteamento de Vila Paraná, abrindo ruas, não só nos vales existentes, mas também nas encostas.

    A construção de imóveis no bairro teve um ritmo inicial lento já que, apesar de sua proximidade, a precariedade de serviços e as características de muitos lotes, com acentuada declividade, exigiam custo alto e apuro técnico nas construções.

    Por volta de 1945, foi criada a Associação de Moradores (antigo Centro Pró-Melhoramento de Vila Paraná) que decidiu trocar o nome da Vila para Nossa Senhora de Fátima. Os moradores que não eram católicos não aceitaram esta denominação passando então o bairro a chamar-se simplesmente, Fátima.

    Em 1949 o bairro ainda não era muito habitado e não havia luz nas vias públicas. A energia era instalada diretamente nas casa a pedido dos moradores, cabendo à Companhia Brasileira de Energia Elétrica, em parceria com a Prefeitura Municipal de Niterói e com a Associação de Moradores, gerenciar esta parte.

    Na década de 50 o bairro apresentou uma ocupação acentuada, composta principalmente por casas isoladas para fins residenciais, fruto do processo de urbanização vivido por Niterói e da expansão do próprio Centro da cidade. Devido ao boom imobiliário da década de 70 beneficiado pela construção da Ponte Rio-Niterói, surgiram nos limites do bairro prédios de apartamentos financiados pelo antigo BNH, o que contribuiu para a sua atual configuração.

    Segundo o Censo Demográfico de 1991, o bairro de Fátima reúne quase 1% da população de Niterói. A participação percentual do bairro no total da população da cidade vem aumentando progressivamente. Esse fato pode ser comprovado acompanhando-se a série histórica dos últimos censos. Fátima ocupa a 12ª posição em crescimento demográfico, segundo o censo de 91, comparativamente aos demais bairros de Niterói, devido, sobretudo, às últimas construções de condomínios verticalizados.

    No bairro de Fátima a população residente do sexo masculino representa 45,51% do total, enquanto a feminina soma 54,49%.

    Quanto à distribuição etária, observa-se maior concentração nas faixas entre 20 e 39 anos, com 37,42%; de 40 a 59 anos, 22,06%; enquanto a população infantil (0 a 9 anos) representa 12,90% e a faixa de 10 a 19 anos, 15,65%. Já a população acima dos 60 anos representa 11,97%, caracterizando o bairro como de população adulta.

    Fátima apresenta altos índices de alfabetização para todas as faixas etárias. O que confere ao bairro a 6ª posição entre os 48 bairros de Niterói. Nota-se que mesmo entre a população idosa os índices são bastantes elevados.

    Fátima é o 4º bairro de maior percentual de mulheres na condição de chefes do domicílio (30,92%), porém, ainda predomina a situação tradicional: a que traduz a figura masculina na posição de chefe (69,08%).

    Quanto ao rendimento médio mensal do chefe de domicílio, nota-se que 54,11% das remunerações mensais estão na classe de rendimento até cinco salários mínimos e 29,71% na classe de cinco a dez salários mínimos. As duas classes juntas representam 83,82% do total, o que nos permite classificar Fátima como um bairro de classe média-baixa e classe baixa.

    Dos 1.168 domicílios particulares permanentes do bairro, 63,27% correspondem a apartamentos e 36,56% a casas. Os imóveis próprios somam 65,93% do total, enquanto os alugados totalizam 27,65%.

    Fátima é um bairro bem dotado de infra-estrutura básica. Dos 1.168 domicílios, praticamente todos (1.117) estão ligados à rede geral de abastecimento de água.

    O mesmo acontece com as instalações sanitárias: a maioria (1.104) está conectada à rede geral de esgoto. Merece ressaltar que 24 domicílios utilizam outras formas de escoadouro e que outros 13 não usam escoadouro algum.

    A coleta de lixo abrange 95,80% dos domicílios, de forma que poucos praticam a queima do lixo (2,57%).

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

    A ocupação do bairro por novas edificações foi intensificada nos últimos anos, principalmente na década de 70, restando poucas áreas para construção, à exceção das encostas dos morros de São Lourenço /Boa Vista.

    No bairro, apesar da existência de moradias de bom padrão, há predomínio de residências de médio padrão, inclusive degradado (*), e conjuntos habitacionais. Observa-se também o aparecimento de áreas de favelização.

    Com relação a equipamentos públicos, estão localizados no bairro o Centro Previdenciário de Niterói (CPN), o Ambulatório de Emergência e Enfermarias Médicas do INSS e a Escola Municipal Santos Dumont — que oferece turmas da pré-escola à 8ª série.

    O comércio é insuficiente à demanda existente, havendo apenas alguns estabelecimentos que suprem as primeiras necessidades. Uma única linha de ônibus faz o transporte de moradores, em conjunto com duas Kombis. Devido a proximidade do Centro e de Icaraí, muitas vezes os moradores preferem caminhar. Todas as ruas de acesso ao bairro partem da rua Marquês do Paraná. Além das poucas ruas principais de acesso e de circulação, há no bairro um conjunto de ruas íngremes (ladeiras), entremeadas de vielas (todas pavimentadas). Com isso o bairro de Fátima, tão perto do Centro, fica isolado e resguardado da agitação e de muitos dos problemas do Centro, adquirindo um aspecto de evidente tranqüilidade. Segundo depoimento de moradores, o nível de criminalidade é baixo, o que torna Fátima um bairro tranqüilo e agradável de morar.

(*) Segundo classificação da Secretaria de Urbanismo, Meio Ambiente e Controle Urbano de Niterói.