| ENGENHO DO MATO |
O Engenho do Mato faz limite com os seguintes bairros: Itaipu, Jacaré, Rio do Ouro, Várzea das Moças e ainda com o município de Maricá, pela Serra da Tiririca. O bairro surgiu da partilha da Fazenda Engenho do Mato, que tinha como função principal a produção de banana prata e grande variedade de hortifrutigranjeiros, destinados principalmente ao centro consumidor de Niterói. Na área desta fazenda foram feitos dois loteamentos: o primeiro denominado "Jardim Fazendinha de Itaipu" e o segundo "Parque da Colina", ambos obedecendo ao Decreto-Lei número 3.079 de 15 de setembro de 1938.
A partir dos anos 50, a região passou a ser ocupada por posseiros que desenvolviam atividades agrícolas e acabaram sofrendo ameaças de expulsão com a venda dessas terras, o que só não ocorreu em função de uma ação governamental que desapropriou a área visando a instalação do núcleo colonial da Fazenda do Engenho do Mato, Decreto nº 7.577 de 2 de agosto de 1961. Tal ação surgiu a partir da tentativa de evitar um possível êxodo dessa população para o centro urbano e também para garantir a continuidade de uma produção agrícola próxima à cidade de Niterói, além de evitar a derrubada da mata existente, rica em madeira de lei. A área desapropriada alcançava aproximadamente 52 alqueires.
Posteriormente, nos anos 70, sugiram os loteamentos que foram responsáveis pela configuração atual do bairro como: Maravista, Soter, Argeu, Fazendinha, Vale Feliz e Jardim Fluminense.
Atualmente, grande parte da área plana é ocupada por residências de moradores de classe média que, em sua maior parte, teve acesso à terra a partir da compra direta aos posseiros mais pobres. A população de baixa renda localiza-se principalmente no Jardim Fluminense e nas encostas da Serra da Tiririca.
As propriedades, antes destinadas à veraneio ou finais de semana, hoje apresentam-se como local de moradia permanente de uma população que tem como remanescentes da vida rural a tranqüilidade e a paisagem, bem como a proximidade com as praias oceânicas. Estes são os principais elementos atrativos e de valorização dos terrenos do bairro. A entrada do capital imobiliário, somado ao asfaltamento das principais vias de acesso ao Engenho do Mato, resultaram nas altas taxas de crescimento anual da população a partir da década de 1970.
Apesar de sua população representar apenas 1,36% do total do município, segundo o censo de 1991, o Engenho do Mato apresenta-se como um dos bairros de maior incremento demográfico de Niterói. No período entre 1970 e 1980, foi o décimo bairro que mais cresceu no conjunto do município. E no período de 1980 a 1991 o seu crescimento se intensificou ainda mais, alcançando a taxa de 12,55%, sendo o segundo índice de crescimento do município, superado apenas por Camboinhas.
Na distribuição da população residente no bairro por faixa etária, encontramos percentuais de concentração maiores nas faixas de 5 a 9 anos, 11,10%; e de 0 a 4 anos de idade, 10,18%; seguidas pela faixa de 10 a 14 anos que concentra 9,85% da população total . Em contrapartida, a partir de 70 anos o percentual não chega a 1% dos residentes por faixa etária.
Quanto à distribuição por sexo, a população masculina é de 51,07% enquanto a população feminina é de 48,93%.
A taxa média de alfabetização do bairro, da população acima de 5 anos, é de 83,50% estando bem abaixo da taxa média do município, ocupando a 41ª colocação.
Percebe-se que nas faixas entre 10 e 39 anos de idade os percentuais de população estão mais próximos da média do município.
Na condição de chefe de domicílio a maioria é do sexo masculino, com 86,12%; e apenas 13,88% correspondem ao sexo feminino, um dos menores percentuais do município nesta situação.
No que diz respeito à classe de rendimentos dos chefes de domicílio, a maior concentração está nas faixas até 2 salários mínimos, representada por 44,69% dos chefes. Na faixa de 5 a 10 salários mínimos estão 15,02% e apenas 7,23% se classificam na categoria acima de 15 salários mínimos.
Dos 1.614 domicílios existentes, 1.591 são particulares permanentes e 23 são particulares improvisados.
Na condição de ocupação, o maior percentual corresponde aos domicílios que são próprios, constituindo 78,94% do total; e entre os 267 domicílios que representam outras formas, a grande maioria, 247, são cedidos por particular ou empregador, representando muitas vezes habitações de "caseiros".
No Engenho do Mato 81,02% dos domicílios possuem abastecimento de água com canalização interna; em relação a instalação sanitária, 64,17% dos domicílios adotam o sistema de fossa séptica e os demais 35,83% utilizam outras formas assim identificadas: fossa rudimentar, em 298 domicílios; vala, em 160 domicílios; outras formas, não discriminadas em 09 domicílios; em três domicílios os entrevistados não souberam informar; e 100 domicílios não possuem qualquer tipo de esgotamento sanitário.
No que diz respeito ao destino do lixo, metade do volume existente é coletado, 36,71% são queimados e 12,76% têm outros destinos.
CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:
Observamos a presença de lojas de materiais de construção, bares, mercados de médio porte e postos de gasolina, concentrados sobretudo ao longo da Avenida Central, atualmente pavimentada e uma das principais vias de ligação com outros bairros e com a estrada Amaral Peixoto. Já ao longo da estrada do Engenho do Mato, destacam-se alguns bares e casas noturnas. Em relação ao comércio mais especializado, a população procura os estabelecimentos existentes na estrada Celso Peçanha ou mesmo em Icaraí e Centro de Niterói.
Quanto aos equipamentos públicos, existe um Posto de Saúde, um módulo do Médico de Família, o CIEP Rui Frazão, a Escola Estadual Fagundes Varela, um setor da Fundação Leão XIII e a Creche Municipal Olga Benário Prestes.
Com relação ao transporte coletivo, duas empresas de ônibus prestam serviços a este bairro, sendo que uma explora duas linhas que trafegam na estrada Engenho do Mato, ligando Itaipu ao Centro de Niterói e a Alcântara; e a outra trafega pela Avenida Central ligando Várzea das Moças ao Centro, operando, segundo a população, com horários e freqüência incompatíveis com as necessidades, sobretudo durante a noite e nos finais de semana.
Como evento popular temos a Festa Country do Engenho do Mato que tornou-se um acontecimento marcante, não só do local como de todo o município, sendo responsável pela instalação de um Parque Rural, onde se pretende , além da criação de uma escola de equitação, realizar cursos profissionalizantes para tratadores de animais, promoção de encontros ecológicos e de educação ambiental , possibilitando a criação de novo polo turístico.
Entre os problemas observados no bairro, destacam-se: os desmatamentos na encosta da Serra da Tiririca, atenuado pela criação do Parque Estadual; a insuficiência de redes para abastecimento de água e de esgotamento sanitário, problemas comuns a toda Região Oceânica, e a falta de pavimentação de grande parte de seu sistema viário.
Devido a recente valorização destes terrenos, nota-se a presença cada vez maior de uma população de classe média instalando-se nos terrenos disponíveis, sobretudo ao longo dos loteamentos existentes nas proximidades da Avenida Central.