CHARITAS  
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    Limita-se com as águas da Baía de Guanabara, Piratininga (Morro da Viração), São Francisco e Jurujuba.

    O bairro está na enseada de São Francisco, numa estreita faixa de terra compreendida entre a orla e o Morro da Viração. Sua paisagem natural já foi bastante modificada pela ação do homem, principalmente através dos desmatamentos, das edificações, extração mineral (pedreira) e do aterro, que diminuiu o espelho d’água. No entanto, este aterro aumentou a faixa de areia e possibilitou a construção de um calçadão e a duplicação da principal via do bairro.

    Estendendo-se ao longo das avenidas Quintino Bocaiúva e Carlos Ermelindo Marins, que ligam São Francisco a Jurujuba, só recentemente Charitas construiu identidade própria. Antes designava-se Jurujuba toda a região a partir de São Francisco até a entrada da Baía.

    Charitas, mesmo distante do núcleo inicial de povoamento da cidade, possui relevância na história do      município, merecendo destaque:

    1ª — As suas terras integraram a Sesmaria dos Jesuítas e nelas foi instalado o cemitério contíguo à Igreja de São Francisco Xavier. O nome do bairro, tem origem na palavra latina charitas, que significa caridade, grafada na igreja.

    2ª — Em meados do séc. XVIII foi construída a sede da Fazenda Jurujuba. Esta propriedade foi doada por um dos seus donos para o Seminário São José, do Rio de Janeiro. O prédio é tombado pelo SPHAN e conhecido como Casarão.

    3ª — Em 1853, após reforma e ampliação de um prédio já existente, foi inaugurado o Hospital Marítimo Santa Isabel. O sanitarista Francisco de Paula Cândido instalou e começou a dirigir a instituição. Em sua homenagem, não só o hospital mas todas as instalações que o lugar abrigou, passaram a se chamar Paula Cândido. O Hospital foi criado para abrigar e manter isolados doentes recolhidos nos navios que aportavam na Baía de Guanabara,1 portadores de varíola, febre amarela e cólera. Pecebia também doentes das redondezas e desempenhou importante papel devido as constantes epidemias até o início do século XX.

    Posteriormente o hospital foi transformado em Preventório para abrigar crianças necessitadas de isolamento de contato tuberculoso. Nas suas dependências, mais tarde, foi estabelecida a Escola de Enfermagem e o Educandário Paula Cândido (FEEM).

    4ª — Na década de 40, foi criado no bairro um campo de pouso para aviões monomotores, os Teco-Tecos. No Aeroclube de Niterói eram ministradas aulas de pilotagem e de lá se partia / chegava para pequenas viagens ou excursões aéreas.

    5ª — A praia de Charitas, com suas águas calmas, era utilizada por famílias vindas de diferentes pontos da cidade e de outros municípios (muitos vinham de caminhão) para o lazer domingueiro. Piqueniques eram realizados à sombra das árvores existentes.

    6ª — Em Charitas foram construídos outros dois hospitais: um psiquiátrico, conhecido como Hospital de Jurujuba; e o Hospital da Associação dos Servidores Públicos do Estado do Rio de Janeiro (ASPERJ).

    A expansão urbana ocorrida em Niterói custou atingir Charitas. A tranquilidade do bairro só era interrompida por veículos que trafegavam em direção à Jurujuba, ou por eventuais explosões na pedreira até hoje explorada.

    Com a crise econômica e o processo de metropolização, aparece em Charitas uma área de favelização ainda em crescimento, o Morro do Preventório.

 1 — Outrora existiu um viaduto que ligava a ponte de atracação diretamente ao Hospital.

    A população residente em Charitas representa 0,88% da população total do município. Quanto ao incremento demográfico, foi surpreendente a taxa de crescimento no período de 70/80, sendo o 7º bairro que mais cresceu. No entanto, no período seguinte (80/91) registrou-se uma desaceleração demográfica, com taxa negativa de – 0,27%.

    Seguindo a tendência geral do município, o bairro tem mais mulheres do que homens. A população masculina soma 48,24% do total. E a feminina representa 51,76%. O número de mulheres é superior em 3,52% ao de homens.

    Em relação à distribuição da população por faixas etárias, ocorre uma maior concentração nas faixas de 0 a 29 anos, com 57,94% do total. Nos grupos de idade a partir dos 30 anos há uma significativa redução, e a população acima de 60 anos representa apenas 7,60% da população total do bairro.

    A taxa de alfabetização é baixa em relação a outros bairros, ocupando a posição de 43º lugar no conjunto do município.

    Os maiores percentuais encontram-se entre as faixas de 15 a 29 anos, declinando gradualmente a partir de 45 anos.

    Os homens representam 74,30% dos chefes de domicílio, enquanto 25,70% são mulheres, percentual este um pouco abaixo da média municipal que é de 26,34% de mulheres na chefia domiciliar.

    Quanto ao rendimento médio mensal, 71,48% dos chefes de domicílio recebem até 3 salários mínimos; 15,37% recebem entre 3 e 10 salários; 5,26% recebem de 10 a 20 salários; e 4,45% ganham acima de 20 salários. O quadro reflete uma estratificação social onde predomina a população de baixa renda.

    Quase 50% dos domicílios estão localizados em área de favela, ou seja, em aglomerado subnormal; outros 45,80% estão sob forma de casa isolada ou de condomínio; e um pequeno percentual sob a forma de apartamentos.

    Do total, 86,25% dos domicílios são próprios, embora muitos não possuam titulação de propriedade; e 6,37% constituem outras formas de ocupação, predominando os casos em que estes são cedidos por particulares.

    No que diz respeito ao abastecimento de água dos domicílios, 66,63% possuem canalização interna e 33,37% não possuem. Mas prevalecem as ligações na rede geral. O segundo maior recurso utilizado para abastecimento são os poços ou nascentes.

    Quanto ao esgoto, a fossa séptica é utilizada como escoadouro em 83,52% dos casos. Entre os 151 domicílios que apresentam outras forma de escoamento — 65 utilizam a fossa rudimentar; 28 usam valas como escoadouro; e 53 não possuem nenhuma forma de instalação sanitária.

    A coleta do lixo atende a 63,30% dos domicílios, 25,98% queimam o lixo e 10,72% utilizam-se de outras formas, sendo em sua maior parte jogado em terreno baldio.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

    Charitas hoje é um bairro com características bastante diversificadas.

    O seu significativo crescimento demográfico, sobretudo nos anos 70, se fez com a construção de residências que vão de mansões a casas em favela. Há loteamentos legalizados e construções que não têm escritura definitiva, havendo inclusive áreas em disputa judicial.

    Quase toda a face do bairro voltada para o mar é ocupada por quiosques, bares, restaurantes e outros estabelecimentos de lazer.

    O Clube Naval, com suas edificações e barcos ancorados na marina, ocupa local onde antes existia pequena praia.

    Diferentes equipamentos públicos são encontrados no local: Hospital Psiquiátrico, CIEP, Educandário Paula Cândido, Órgãos da UFF (Núcleo de Documentação, Laboratório de Geologia Marinha), uma Delegacia de Polícia, a Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Oficiais do Corpo de Bombeiros e uma unidade do Médico de Família.

    A intensidade e a diversificação da ocupação recente do bairro trouxeram para Charitas diferentes problemas. Eles vão da legalização da posse da terra a graves questões ambientais como desmatamento e comprometimento das encostas, carência de água potável e saneamento básico, o que contribui para a poluição das praias.

    Apesar disso Charitas é um dos principais pontos turísticos e de lazer de Niterói. Seus bares, restaurantes e quiosques, as suas praias e as suas calçadas atraem cada vez mais, moradores de Niterói e de outros municípios, todos em busca de atividades de lazer e esportivas tipo caminhada, corrida, futebol, vôlei de praia, ciclismo, jetski, vôo livre e para-pente — atividades que dão ao bairro um colorido diferente.

    Por sua localização geográfica, o bairro tende a sediar terminais rodoviários e hidroviários. Atualmente, várias linhas que se destinam ao Rio de Janeiro fazem ponto final no bairro.