| CAMBOINHAS |
Camboinhas localiza-se em parte às margens da Lagoa de Itaipu e em contato com o Oceano Atlântico, limitando-se também com Piratininga e Itaipu. O nome do bairro originou-se de episódio envolvendo dois navios nas águas oceânicas em frente ao bairro. Na década de 50 um deles encalhou na areia, o Camboinhas, e para socorrê-lo foi enviado um outro navio que acabou afundando em frente a praia no esforço de desencalhar o primeiro. Do Camboinhas ainda resta enterrada na areia da praia, visível na maré baixa, a espinha dorsal do casco. Placas no local alertam aos banhistas para o perigo dos restos do encalhe e do naufrágio.
Na parte em contato com o Oceano, o bairro possuía perfil geomorfológico típico de beira-mar. Praia, dunas arenosas e vegetação de restinga. Mas no final dos anos setenta, a partir de 1978, verdadeiro furacão varreu Camboinhas o projeto de loteamento conduzido pela Veplan, empresa imobiliária sediada no Rio de Janeiro.
A praia de Camboinhas foi cercada com arame farpado e a restinga e as dunas, onde existiam sítios arqueológicos e sambaquis, foram aplainadas a trator para facilitar o parcelamento e a demarcação dos lotes. As praias de Camboinhas e de Itaipu, que formavam uma única paisagem, foram separadas com a escavação de canal permanente, protegido por pedras, para acessar a marina que seria construída ao lado do apart-hotel erguido na restinga. A marina nunca existiu mas o canal permanente quebrou o ciclo natural de lagoa de arrebentação que Itaipú tinha a de romper a sua barra arenosa, ligando-se ao mar, na época das chuvas. Este processo, que se repetia anualmente, permitia que os cardumes saíssem do mar, subissem a correnteza e desovassem no interior da lagoa, de águas calmas e protegidas, perpetuando espécies.
Com o beneplácito dos governos municipal, estadual e federal da época final da ditadura militar a Veplan Imobiliária não só rompeu o ciclo natural de renovação das águas e das espécies da lagoa de Itaipu, como também dragou o seu fundo acarretando consequências trágicas para a vizinha Lagoa de Piratininga.
A dragagem teve o objetivo aumentar a faixa de areia próxima ao mar, a mais valorizada do empreendimento imobiliário; e facilitar o acesso de barcos de grande calado à marina do apart-hotel, marina que nunca saiu do papel.
A alteração do ecossistema continua a causar danos para as lagoas de Itaipu e de Piratininga, esta ligada a de Itaipu pelo canal de Camboatá e que vive permanente processo de assoreamento que se não for detido resultará na sua completa extinção. Por causa do desnível provocado pela dragagem do fundo da lagoa de Itaipu, as águas da lagoa de Piratininga sangram permanentemente para a de Itaipu e, desta, para o mar. O processo só se inverte na maré alta, insuficiente para renovar as águas da lagoa de Piratininga que, pouco a pouco, está desaparecendo e tendo as suas margens ocupadas por posseiros de todos os níveis e classes sociais.
A interrupção do ciclo natural das lagoas de Piratininga e de Itaipu devido a ação da Veplan Imobiliária é um problema ainda a ser solucionado.
No outro extremo de Camboinhas, partindo do canal artificial, vamos encontrar um costão quase abrupto, onde semi-oculta está a praia do Sossego que devido ao difícil acesso, preservou durante muito tempo a sua vegetação natural de restinga.
Da mesma forma que seus vizinhos, Camboinhas foi habitado por comunidades indígenas praticantes da pesca. Os portugueses que aí se estabeleceram também a praticavam. Somente muitos anos depois esta região iniciou seu processo de urbanização, a princípio apenas através do surgimento de residências de veraneio; posteriormente foi assumindo um padrão mais residencial, caracterizado por construções de padrão médio e alto. Deste modo, o bairro transformou-se num grande condomínio residencial horizontal. Seus moradores organizaram-se com o objetivo de resguardar os equipamentos e serviços do local, inclusive criando a SOPRECAM (Sociedade Pró-Preservação Urbanística e Ecológica de Camboinhas), através da qual tomaram para si a tarefa de gerenciamento do bairro. Esta entidade funciona de tal forma hoje, que sua organização permite administrar e manter os serviços de abastecimento de água, instalação sanitária, reforço de segurança interna e até mesmo conservação das vias públicas, praças e jardins, dentre outros serviços.
Este bairro apresentou o maior índice de crescimento anual de população, 14,84%, no período entre 1980 e 1991. Porém este crescimento não influenciou decisivamente sobre a população do município, já que corresponde à apenas 0,21% do total.
A população masculina, neste bairro, representa 51,07% do total dos moradores, superando a do sexo feminino.
Na distribuição por faixas etárias, as maiores concentrações são percebidas entre as faixas de 10 a 19 anos de idade, representando 21,49% e de 25 a 39 anos, que representam 28,19% do total da população do bairro.
Camboinhas apresenta uma alta taxa de alfabetização (92,74%), cabendo ressaltar essa ocorrência também nas faixas etárias da população adulta, condizendo com o padrão econômico dos moradores e diferenciando-se, substancialmente, da realidade encontrada em bairros mais pobres, nos quais a ocorrência de analfabetismo, na população de mais de 60 anos, tende ao crescimento.
Na composição familiar, o percentual de homens na chefia de domicílio é o mais elevado de Niterói, correspondendo à 94,02% dos chefes; enquanto somente 5,98% são do sexo feminino.
A Tabela V indica que o padrão econômico da população de Camboinhas é muito elevado, registrando-se que 55,10% dos chefes de domicílio recebem mais de 10 salários mínimos/mês. Trata-se de um bairro atípico mesmo para os padrões de Niterói.
Camboinhas apresenta domicílios unifamiliares, com a predominância de casas de alto padrão construtivo (PMN/Sumac), o que se pode constatar pela média de 10,53 cômodos por domicílio, sendo uma das maiores médias de Niterói.
Camboinhas possui um reservatório dágua exclusivo para o bairro, de propriedade da SOPRECAM, mantido através da captação de águas subterrâneas.
Somam-se, em números percentuais, 95,51% dos domicílios que possuem canalização interna sendo a maior parte conectada a esse sistema; entretanto alguns moradores ainda utilizam a água de poços perfurados em suas próprias residências. Dos 11 domicílios sem canalização interna, seis possuem poços particulares e cinco utilizam-se de outras formas para o seu abastecimento.
A SOPRECAM também é responsável pela instalação sanitária do bairro, atendendo aos domicílios a elas associados Essa rede de esgotos reúne o triângulo central do bairro, conduzindo os dejetos a um sistema de tratamento que contempla a área próxima à lagoa de Itaipu.
CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:
O comércio em Camboinhas está restrito aos quiosques na orla marítima, que atendem sobretudo aos veranistas que freqüentam a praia, não sendo desejado pelos moradores a instalação de novos estabelecimentos comerciais.
Com exceção do posto policial, não existem equipamentos públicos para a prestação de serviços no bairro. Os moradores costumam utilizar o comércio e os serviços existentes em bairros vizinhos, principalmente Itaipu e Piratininga, ou mesmo no Centro de Niterói e Icaraí.
Não existem linhas de ônibus operando no bairro, pois os moradores temem que haja uma invasão de turistas no período do verão beneficiados pela facilidade de acesso que estas proporcionariam. Sem dúvida alguma, o principal meio de transporte utilizado pelos moradores são os automóveis particulares, sendo que a bicicleta também é muito utilizada para pequenas distâncias.
O convívio entre a população residente e a população flutuante é muitas vezes conflituosas, pois o grande fluxo de veranistas de fins-de-semana, utilizando-se de estacionamentos irregulares, acaba congestionando o sistema viário.
Vale ressaltar que o bairro continua crescendo em ritmo acelerado, o que pode ser percebido claramente através do grande número de construções em curso.