CAFUBÁ  
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    O Cafubá tem como vizinhos os bairros de São Francisco, Cachoeiras, Maceió, Cantagalo e Piratininga. Segundo informações recolhidas de antigos moradores, a denominação Cafubá tem origem na existência de uma fazenda na região onde criava-se o gado Cafubá, de cor cinzenta e origem africana, há pelo menos um século.

    Seus limites territoriais são bastante confundidos com o vizinho bairro de Piratininga, o que traz para muitos a incerteza do bairro em que residem e, para as associações de moradores, dúvidas quanto a sua área de abrangência. Este fato ocorre, dentre vários motivos, pela sua pequena extensão territorial que, oficialmente, encontra-se distribuída ao longo de uma das vertentes do morro da Viração. No entanto, para alguns, os limites do bairro estender-se- até às margens da lagoa de Piratininga.

    A origem dessa indefinição de limites remonta à época da criação do bairro, desmembrado de Piratininga pelo decreto nº 4895 de 1986. De qualquer forma, é visível a divisão deste local em duas áreas distintas: a primeira, que restringe o bairro às vertentes do morro da Viração, caracterizada por ter uma ocupação predominante de população de baixa renda; e a segunda, que se estende até à lagoa, de ocupação mais recente e com predominância da população de rendimentos médios.

    A população de baixa renda se instalou no bairro sobretudo na década de 70. Seus moradores estão empregados sobretudo no setor terciario , destacando-se as empregadas domésticas, jardineiros, pedreiros e carpinteiros entre outros, não considerar mão-de-obra atende, principalmente, do mercado da Região Oceânica. As construções existentes apresentam um padrão construtivo predominantemente considerado precário (PMN/Sumac), porém, nos últimos cinco anos, uma série de melhorias no seu sistema viário e na sua infra-estrutura urbana atraíram novos loteamentos onde as casas apresentam padrão construtivo mais elevado.

    A população da chamada classe média se estabelece principalmente, na área situada entre a antiga estrada Celso Peçanha e a Lagoa de Piratininga, cuja maior parte compreende o loteamento Mar Alegre. Esta é a região onde há uma maior indefinição de limites, visto que, para as administradoras de imóveis e para o capital especulativo em geral, a denominação Piratininga é mais conhecida e possui maior aceitação no mercado imobiliário.

    Nota-se ainda outros pequenos núcleos de baixa renda, como as comunidades da Beira da Lagoa e da Favelhinha da Rua 57, que são áreas de posse.   

    O bairro do Cafubá tem registrado nas últimas décadas um notável crescimento populacional. Os índices obtidos nos últimos censos identificam no bairro um crescimento bastante superior à média do município. Na década de 70, o Cafubá apresentou o maior índice de crescimento dentre os bairros de Niterói, registrando a taxa média de 12,97%, enquanto a média para o município era de 2,05%.

    No período 80/91 o bairro é marcado por um processo de desaceleração em seu crescimento, registrando a taxa de 3,77%, nona maior do município. Esta taxa, muito embora em relação ao período anterior seja consideravelmente inferior, quando comparada à taxa média do município para o mesmo período, que foi de 0,85%, mostra que o Cafubá segue o padrão predominante da Região Oceânica — crescendo muito acima da média da cidade.

    O Cafubá possui, segundo o Censo de 1991, população de 2.417 habitantes, o que representa 0,55% da população total do município. Esta população, no que diz respeito a composição por sexo, encontra-se bastante equilibrada: 50,35% são do sexo feminino e 49,65% são do sexo masculino.

    Quanto à distribuição por grupos de idade, observa-se uma concentração bastante significativa de crianças (entre 0 e 14 anos) correspondendo a 32,23% do total da população. Já os adultos com idade entre 25-39 anos representam 26,38% dos habitantes; e os idosos (65 anos em diante) somam 4,43% da população. 

    No Cafubá, 87,07% dos moradores são alfabetizados. O bairro ocupa a 32ª colocação entre os bairros de Niterói e situa-se um pouco abaixo da média geral do município, 91,97%. Entretanto, as faixas entre 10 e 49 anos de idade registram índices bem próximos, e por vezes superiores, ao do município.

    O Cafubá, no que diz respeito ao rendimento médio mensal, apresenta número bastante significativo de chefes de domicílio que recebem até 3 salários mínimos — 53,57%. Outra faixa bastante expressiva é a situada entre 3 e 10 salários mínimos, 29,35% do total dos chefes.

    O bairro possui um total de 603 domicílios, dos quais 85,90% constituem domicílios próprios e 6,64% correspondem a domicílios alugados. Existem ainda 7,46% sob outras condições de ocupação. 

    Do total de residências do bairro, 78,61% possuem canalização interna de abastecimento de água, porém um número bastante significativo não a possui (21,39%). Quase todos os domicílios — 98,95% — conseguem água através de poços ou nascentes devido a inexistência de rede geral de abastecimento.

    Com relação a instalação sanitária, apenas 1,33% dos domicílios estão ligados à rede geral. Do total de domicílios, 44,61% utilizam-se de fossas sépticas, 45,27% usam a fossa rudimentar e 8,79% recorrem a valas e a outras formas de escoadouro.

    Quanto ao lixo, 77,78% dos domicílios são atendidos pela coleta realizada pela CLIN e do restante, 12,77% são queimados e 9,45% recebem outros destinos. 

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

    O Cafubá apresenta problemas como a insuficiência das redes de água e de esgoto sanitário e a falta de pavimentação das ruas, visto que apenas algumas vias principais possuem cobertura asfáltica. A coleta de lixo é satisfatória, havendo inclusive algumas lixeiras comunitárias na subida do Morro da Viração.

    O funcionamento do transporte coletivo é precário e prejudica principalmente a população de baixa renda que é a maior usuária deste tipo de serviço. As linhas de ônibus que circulam no bairro são as que atendem aos demais bairros da Região Oceânica e trafegam somente nas principais vias de acesso, a antiga estrada Celso Peçanha e as avenidas 6 e 7. Contudo as principais reclamações dos moradores, quanto ao transporte, dizem respeito ao fato de os veículos transitarem lotados, principalmente nos finais de semana e no período de férias de verão. Os moradores reivindicam ainda, que haja uma linha de micro-ônibus que circule entre os bairros da Região.

    O comércio local é quase inexistente, notando-se apenas algumas "biroscas", além dos restaurantes de renome. A população se desloca a outros pólos de comércio e serviços para abastecimento. Para o consumo cotidiano — padaria, farmácia e supermercados ¾ recorrem muitas vezes ao bairro de Piratininga. Ressalta-se também a existência de uma cerâmica e de fábrica de lajes , além de algumas madeireiras.

    Dos equipamentos básicos fundamentais, é encontrado no bairro a Escola Municipal Maralegre (que atende somente ao 1º segmento do 1º grau), duas creches mantidas pela Associação de Moradores do Cafubá e o módulo do Médico de Família do Cafubá. A segurança é garantida pelos policiais do DPO do bairro.

    Por estar situado próximo às principais praias do município, numa região privilegiada em paisagens naturais e de crescente valorização imobiliária, o bairro tende a configurar-se como área residencial de padrão médio. Embora o Cafubá já esteja praticamente todo ocupado, ainda restam terrenos.

    O bairro poderá vir a assumir uma vocação mais turística, beneficiado que seria pela vizinhança do Parque da Cidade e da Praia de Piratininga.