BALDEADOR  
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    O Baldeador limita-se com o município de São Gonçalo e com os bairros do Fonseca, Santa Bárbara e Caramujo, destes dois últimos separados pela Rodovia Amaral Peixoto.

    Segundo relato dos antigos moradores, a denominação Baldeador deve-se ao fato de a área ter sido ponto de baldeação de viajantes, tropas de mulas e boiadas que se dirigiam ao centro urbano.

    A região do Baldeador foi, até as primeiras décadas do século XX, uma área agrícola. No século passado nas fazendas ali localizadas destacavam-se as culturas de café e cana-de-açúcar para exportação, além das de milho, feijão, mandioca, frutas e legumes para abastecimento local e adjacências.

    A partir da segunda metade do século XIX iniciou-se um processo irreversível de declínio da atividade agrícola no Estado do Rio, agravado pela gradual abolição da escravatura e, principalmente, pela transferência do eixo cafeeiro para o Vale do Paraíba. Nas primeiras décadas deste século ainda existiam pequenas lavouras de subsistência no Baldeador, hoje praticamente inexistentes.

    A extensão territorial do antigo Baldeador era muito maior do que a de hoje; nela estavam incluídas partes do atual município de São Gonçalo, ainda hoje chamadas de Baldeador, bem como os territórios dos atuais bairros do Caramujo e de Santa Bárbara.

    O antigo Baldeador era cortado pela estrada Velha de Maricá, principal caminho de ligação entre os municípios de Niterói e Maricá. Ao longo desta e da estrada da Figueira, aconteceu o início da ocupação urbana, fato constatado pela presença de edificações antigas.

    Dois fatos são significativos para o estabelecimento do atual perfil do Baldeador:

— A construção da rodovia Amaral Peixoto e sua posterior duplicação;

— O processo de urbanização da cidade de Niterói e da Região Metropolitana do Rio de janeiro.

    Cortando a estrada Velha de Maricá e a estrada da Figueira, a Rodovia Amaral Peixoto dividiu a região em duas partes: Baldeador "de cima", à esquerda, e Baldeador "de baixo", à direita, no sentido Niterói-Tribobó; denominações estas empregadas pelos antigos moradores. Esta rodovia constitui-se na principal via de acesso ao bairro.

    As estradas Velha de Maricá e da Figueira, com a construção da Rodovia Amaral Peixoto, perderam sua importância como principais vias de circulação ocasionando, desse modo, um processo de decadência da área, evidenciado pelo estado de abandono destas vias, com prédios sub-utilizados, alguns em ruínas. O comércio existente no passado hoje se restringe a estabelecimentos de primeira necessidade.

    Com o acelerado processo de urbanização pós-guerra, as fazendas e os sítios foram loteados, surgindo novos bairros como Caramujo e Santa Bárbara, ocupados e adensados, gerando uma "crise de identidade". São grandes as contradições entre os limites do atual bairro, instituído em 1986, com a área ocupada no passado.

    Os moradores quando abordados sobre o seu local de moradia dizem: "Moro no Caramujo, na Cova da Onça, em Nossa Senhora das Graças, em Santa Bárbara", e até, "não sei qual é o meu bairro".

    Na área do antigo Baldeador existia a Fazenda Juca Matheus que, posteriormente, foi loteada e deu origem ao bairro de Santa Bárbara. Neste bairro encontramos uma parte também conhecida como Baldeador que outrora foi um sítio pertencente ao Sr. Paulino Menezes, parcelado nos anos 60, dando origem ao loteamento Parque Modelo.

    O bairro do Baldeador estabelecido pelos limites do Decreto Lei 4895, de 08/11/86, possui áreas com características próprias: a Figueira, que se localiza ao longo da estrada do mesmo nome; Cova da Onça, onde existem terrenos ocupados por posseiros; Nossa Senhora das Graças, com loteamentos regulares e, ainda, parte do local conhecido como "Caixa D’água".

    A população do bairro representa 1,09% do total do município, pelo censo de 1991. O incremento demográfico do bairro foi, nos dois períodos, menor do que a taxa média de crescimento da cidade, apresentando inclusive taxas negativas. A população residente se concentra na faixa etária de 05 a 14 anos, que corresponde a 20,74% do total.

    Em relação ao sexo, há um equilíbrio entre os moradores: 50,11% são mulheres e, 49,89%, homens.

    Observa-se na tabela que o bairro apresenta uma taxa de alfabetização de 84,63%, ocupando o 37º lugar no município. As faixas etárias de 10 a 34 anos apresentam as maiores taxas, que começam a declinar a partir dos 65 anos.

    O bairro possui 4.756 habitantes e destes, 1.321 são chefes de domicílio. Desse total, 77,67% são homens e nota-se um percentual relativamente alto (22,33%) de mulheres nesta condição.

     No Baldeador, 75,43% dos chefes de domicílio possuem rendimento mensal de até 3 salários mínimos; 10,24% ganham entre 3 e 5 salários mínimos e somente 6,60% recebem mais de 5 salários mínimos mensais. Os números caracterizam o bairro como local de moradia de população tipicamente periférica, com baixo poder econômico.

    O Baldeador apresenta 1.321 domicílios. Desse total, 72,10% são próprios, 19,64% são alugados e 8,26% constituem outra forma de ocupação. Há predominância de casas isoladas ou de condomínio, representando as unidades residenciais unifamiliares.

    Pela análise da tabela, observa-se que o bairro possui 59,67% dos domicílios com canalização interna, contrapondo-se aos 40,33% sem canalização interna de água.

    Quanto as instalações sanitárias, observa-se que 35,33% dos domicílios estão ligados à rede geral, 26,76% possuem fossa séptica e 37,91% apresentam outras formas de escoadouro, correspondendo a 500 domicílios, assim discriminados: 262 utilizam as valas, 93 as fossas rudimentares, 50 não discriminaram a forma, 94 não possuem nenhum tipo de instalação sanitária e em 01 domicílio o entrevistado não soube informar. 

CARACTERÍSTICAS URBANAS E TENDÊNCIAS:

    O bairro do Baldeador, na periferia urbana de Niterói, é predominantemente residencial, com casas de padrão construtivo precário (PMN/Sumac) e áreas de favelização recente.

    O comércio é restrito a pequenos bares, mercearias e biroscas, levando a maior parte dos moradores a utilizar o comércio do Centro. Apesar dessa carência, alguns estabelecimentos comerciais de porte instalaram-se no bairro, como por exemplo, uma revendedora de automóveis e uma grande empresa de ônibus.

    Em relação aos equipamentos públicos, na área de educação, o bairro dispõe do CIEP Maria Portugal e da Escola Municipal Ernani Moreira Franco, que oferecem apenas o primeiro segmento do primeiro grau. Para continuidade dos estudos, os alunos se dirigem para as escolas de Santa Bárbara e de bairros vizinhos.

    Na área da Saúde, os moradores utilizam o posto médico de Santa Bárbara e também o do Caramujo, além do Hospital Universitário Antonio Pedro, no Centro.

    O transporte coletivo é explorado por uma única empresa de ônibus que mantém uma linha Cova da Onça, além dos ônibus que trafegam na Rodovia Amaral Peixoto.

    Ao longo dos anos o bairro desenvolveu-se lentamente, de modo esparso e paralelamente à Rodovia Amaral Peixoto. Atualmente apresenta-se carente de infra-estrutura urbana, concentrando também uma população de baixa renda. Como perspectivas mais imediatas assinala-se, além da possibilidade do crescimento das favelas, a utilização econômica dos muitos terrenos ainda disponíveis.